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FRANCOFONIA NA OUI

FESTA DA FRANCOFONIA NA OUI

 

A festa da Francofonia celebra a pluralidade da língua francesa.

 

Dia 25 de Março de 2017 a OUI Escola de Francês comemorou sua primeira Festa da Francofonia, no Amazonas, em sua sede em Manaus. Todos os anos nos reunimos neste período juntamente com todos os países francófonos para celebrar esta data.

Nossa primeira festa foi linda com muita cultura, apresentações sobre diversos países e regiões francófonas, exposições artísticas, apresentações musicais, palestras sobre a francofonia, palestra gastronômica, degustação, bingo em francês, sorteios, brindes, coquetel, etc...

Queremos agradecer à cada aluno que se empenhou em cada apresentação, em cada trabalho, em cada exposição, em cada contribuição, em cada colaboração. Suas apresentações e exposições foram as mais lindas! 
Ficamos muito orgulhosos de vocês!
Sem dúvida, um dia muito especial para todos os alunos, professores e toda a equipe da família OUI.
Um dia que deu início à muitos outros que estão vindo.

É a OUI que só cresce e expande à cada ano para difundir a língua e a cultura francesa no Amazonas, no Brasil, e faz conexões e intercâmbios com diversos países por diversos meios.
Nossa metodologia é inovadora e se atualiza à cada período. 

E VAMOS PARA MAIS UM ANO! VEM CONOSCO! #DigaOUI

 

 
 
 

 

A Francofonia

 

O mundo inteiro comemora, no dia 20 de março, o dia internacional da francofonia, uma ocasião para celebrar a língua francesa, grande laço que não une somente 170 milhões de locutores recenseados pelo mundo, mas, também, 710 milhões de pessoas que vivem nos 63 Estados e governos da Organização Internacional da Francofonia (OIF).

A data foi escolhida e conservada em homenagem à assinatura do tratado da criação da ACCT – “Agence Intergouvernamentale de la Francophonie” (Agência Intergovernamental da Francofonia) - operador principal da OIF, em 1970, na cidade de Niamey – Nigéria.

Apesar de que a França é a terra natal da língua francesa, e de que além disso, ela divulgou e impôs o idioma por onde pôde, não é admitida como a “proprietária” dela, tampouco da francofonia, pois esta nasceu da iniciativa de três eminentes francófonos não franceses: Félix Houphouêt-Boigny – Costa do Marfim, Habib Bourguiba – Tunísia e Hamami Diori – Nigéria.

Segundo Abdou Diof, secretário geral da OIF, há quatro grandes objetivos a atingir, que foram definidos em novembro/2004, no “X Sommet” em Ouagadougou – Burkina-Faso:

  • promover a língua francesa e a diversidade cultural lingüística;

  • promover a paz, a democracia e os direitos do homem;

  • apoiar a educação, a formação, o ensino superior e a pesquisa;

  • desenvolver a cooperação ao serviço do desenvolvimento durador e da solidariedade.

Atingir esses objetivos, é, além de tudo, mostrar que a francofonia é pluralista e moderna, que está engajada na realidade mundial e disposta a contribuir e a enfrentar o desafio da paz e da diversidade. A importância de se comemorar a data, é, sobretudo, para que esses pontos não sejam omitidos, e que se divulgue os valores francófonos, bem como sua visão de mundo.

Considerada como ambígua, a Francofonia é difícil de ser definida. Os franceses sempre acharam natural que sua língua materna fosse amplamente divulgada, pois consideram-na necessariamente universal em oposição a anglo-americana, que seria a língua global. Entretanto, nossa realidade brasileira questiona essa posição. Graduei-me em Letras – Francês e inúmeras vezes tive que responder porque o escolhi, qual o interesse, e porque não o inglês.

Isso chegava a ser incômodo. Passei toda minha vida acadêmica questionando-me e tendo que responder a essas interrogações. Defendia-me dizendo que gostava, achava bonita, e até mesmo que era chique falar a língua de Balzac, e essa era a resposta mais aceitável, no entanto, sempre foi difícil convencer alguém.

O fato é que os brasileiros, em geral, não acreditam que tal língua possa ser utilíssima. Isso se dá ao fato dela ser algo distante, nada próximo como o inglês: não se ouve músicas francesas nas rádios; não vemos muitos filmes no idioma; a atualidade francófona não é suficientemente divulgada nos jornais, salvo algumas coisas indispensáveis. Enfim, existe no Brasil, uma grande divulgação americana (nem, mesmo, inglesa) que sufoca qualquer outra língua, mesmo o espanhol, falado por todos os nossos vizinhos.

Entre perdas e ganhos, prós e contras, os lingüistas podem afirmar que quanto mais idiomas e culturas conhecemos, melhor nosso desempenho mental e intelectual. Depois de algum tempo dentro da Universidade, eu passei a responder com outra pergunta: - Porque não o francês? E era assustador ver que a maioria das pessoas não tinha uma resposta clara e convincente.

Não quero, aqui, confirmar que o francês seja uma língua universal; mas numericamente, podemos atestar que é muitíssimo falada. As dificuldades de definição e de aceitação não devem mascarar o fato de que a francofonia está encarnada por toda uma série de instituições, e em sua origem, reunia grupos culturais e intelectuais chegando a influir na criação, entre outras, da “Union internationale des journalistes et de la presse de langue française” (União internacional dos jornalistas e da imprensa de língua francesa) em 1950.

No X Congresso da FIPF (“Fédération International de Professeurs de Français” – Federação Internacional de Professores de Francês), que aconteceu em Paris de 17 a 21 de julho de 2000, em meio a variados assuntos, a questão das definições, que veremos, sinteticamente, a seguir, foi abordado com interesse. Coincidência ou ironia, foi nesse Congresso, também, que houve, oficialmente, o reconhecimento dos Professores de Língua Francesa como uma peça indispensável na divulgação da francofonia, feita pelo então, primeiro ministro Lionel Jospin, ao presidente da FIPF – não-francófono – nosso colega, o blumenauense Dario Pagel.

A palavra “francofonia” debutou em 1880, por Onésime Reclus, em seu livro France, Algérie et colonies (França, Algéria e colônias), e designava o conjunto das populações que falavam francês. Eram aceitos como francófonos todos os que parecessem destinados a permanecer ou tornar-se “participante” do idioma. Foi em 1886, em sua outra obra, La France et ses colonies (A França e suas colônias), que o geógrafo deu a primeira estimação do número de francófonos no mundo: 51,75 milhões.

Somente a partir de 1960 o termo tornou-se corrente, por influência dos movimentos pela independência. Em 1962, a revista “Esprit” consagra uma importante matéria sobre o “francês, língua viva”, onde Léopold Sédar-Senghor definiu a francofonia como “esse humanismo integral, que se costura ao redor da terra: essa simbiose das “energias dormentes” de todos os continentes, de todas as raças que se acordam ao seu calor complementar”.

Partindo dessas definições, essa “simbiose” revestiu-se de múltiplas formas:

  • Lingüística, reunindo todos os que partilham o idioma, que o utilizam para se exprimirem, natural, ocasional ou habitualmente.

  • Política e institucional, valorizando as proximidades e trocas entre os Estados que partilham o francês.

  • Cultural, reunindo os que comungam do mesmo ideal de diversidade e universalidade, não detendo-se unicamente às artes do espetáculo e à literatura, mas incluindo os que têm a mesma visão de direito igualitário na tradição romano-germânica e napoleônica.

  • Econômica, afirmando as particularidades dos valores ostentados pelas empresas dos países francófonos e favorecendo as ações comuns.

Constatamos, querendo ou não, que a francofonia é um combate, mesmo nos países francófonos. Deve-se admitir que, entre os discursos oficiais sobre a universalidade do idioma, há um distanciamento político, e a francofonia é, antes de tudo, uma questão de vontade política. Isso faz com que, realmente, haja uma perda de terreno, assim, a influência dos professores de francês assume um papel de suma importância.

Também não podemos deixar de admitir que a “batalha”, “guerrilha”, “guerra”, ou simplesmente “disputa” idiomática tem resistido bem mais do que cem anos. O francês arma-se do que tem ao alcance e vai à luta, não sem reconhecimento, mas com grande dificuldade e muita coragem. Não perde porque não desiste. Que se comemore o dia 20 de março com o orgulho herdado de toda a riqueza que compõe tão bravo idioma, e não nos esqueçamos que o velho guerreiro culto e persistente pode, ainda, ganhar pela sabedoria.